As tecnologias digitais vem mudando o cenário educacional e trazendo novas realidades. Uma delas é o ensino híbrido, que mescla a proximidade do contato presencial com a independência do offline. Ele se tornou uma aposta das instituições para os próximos anos, buscando a personalização da aprendizagem e inserindo as ferramentas tecnológicas no processo de ensino.

Para muitos gestores e professores esse novo modelo é completamente desconhecido e precisará de adaptações em todos os processos da instituição até alcançar o sucesso. Ao mesmo tempo, a possibilidade de ter uma maior liberdade em relação a ferramentas de aprendizagem pode agradar muitos estudantes e incentivá-los na continuidade dos estudos.

Como surgiu o termo?

Antes de entendermos o que esse conceito significa hoje, é importante darmos uma olhada na história.

O termo Blended Learning, ensino misto ou combinado em tradução livre, surgiu em meados dos anos 60 nos Estados Unidos. A chamada Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Eletrônica, trouxe o início da produção massiva de computadores que logo foram incorporados a educação acadêmica. Isso se consolida com mais força a partir de 1970, ano em que também se inicia a aplicação do Ensino Assistido por Computador (EAC).

A partir dos anos 1990, com as máquinas de computador e periféricos tornando-se mais acessíveis em relação ao custo, o ensino híbrido foi ganhando cada vez mais forma. Os primeiros a aderirem a nova ideia foram as instituições de Ensino Superior, em que o modelo a distância era mais consolidado.

O sucesso do conceito acabou se estendendo a algumas escolas de ensino básico, que hoje iniciam programas e estudos para a sua implementação.

O que é o Ensino Híbrido ou Blended Learning?

A mistura de dois modelos de ensino já conhecidos, presencial e remoto, formam o híbrido. Porém, para que ele se efetive não basta apenas mesclar, é preciso trabalhar os formatos e fazer com que funcionem efetivamente.

A tecnologia e as novas metodologias são o centro focal de todo esse processo. A ideia de combinar dois formatos distintos de aprendizagem, o presencial que acontece em sala de aula e o virtual que funciona através da tecnologia, é por considerar que o processo de aprendizado é contínuo e mutável, ou seja, não pode e nem deve ser padronizado.

Mas a aplicação do ensino híbrido requer mudanças mais profundas do que apenas computadores. A metodologia escolar deve ser diferente, incluindo no plano de ensino das disciplinas a nova realidade e buscando, então, alternativas que facilitem aos discentes e docentes a apropriação dos conteúdos.

Benefícios para os estudantes

Personalizar a aprendizagem já era uma discussão que estava pipocando pelas mídias digitais e entre especialistas da educação. Afinal, o modelo tradicional de ensino não tem como base o desenvolvimento do aluno por competências, mas sim uma unidade de turma que aprende ao mesmo tempo. Sendo assim, não se levava em consideração as subjetividades e individualidades de cada aluno em relação ao seu processo de aprendizagem. Nem todos possuem o mesmo ritmo para agregar conteúdos, assim como interesses, culturas e desejos.

A pesquisa “O que pensam os jovens de baixa renda sobre a escola”, realizada pela Fundação Victor Civita em parceria com o Centro Brasileiro de Análises e Planejamento, o Banco Itaú e a Fundação Telefônica Vivo,com 1 mil estudantes do Ensino Médio de São Paulo e Recife, no ano de 2012, apontou que boa parte deles não vê utilidade nos conteúdos oferecidos pelas escolas. A disciplina de literatura, por exemplo, foi considerada útil apenas para 19,1% dos entrevistados.

Segundo a pesquisa, os fatores que mais desagradam os estudantes em relação ao ensino tradicional das escolas são: o baixo uso de tecnologias em sala de aula, a dificuldade de acessar a internet e, ainda, a proibição de celulares durante as aulas.

Preparação dos professores para a mudança

Em qualquer formato de aprendizagem, o professor é a peça chave do conhecimento. Com o ensino híbrido não seria diferente.

Ao pensar na implementação deste modelo, gestores de escolas devem focar na preparação do corpo de docente. Como já mencionado, os processos que envolvem o ensino híbrido são diferentes tanto do EAD quanto do presencial e, portanto, precisam ser trabalhados com a compreensão dessas variações. As tecnologias devem ser integradas ao currículo, tanto para a utilização dos professores quanto dos estudantes.

Dentro desse formato, o professor deve ter formação contínua para que consiga não apenas integrar os estudantes, mas também procurar por soluções para os processos de aprendizagem e avaliação. Desta maneira, o docente consegue empoderar o seu aluno para desenvolver suas competências e, assim, tornar-se protagonista.

Modelos de ensino híbrido

Muito diferente das gerações mais antigas, a nova tem contato muito mais cedo e mais frequente com aparelhos tecnológicos e mídias digitais. Para muitos, isso pode ser visto como um ponto negativo em relação à escola, mas é uma realidade inegável. As instituições devem fazer uso disso com o propósito de potencializar o aprendizado dos alunos.

A interligação do online e offline é uma boa opção para inserir a tecnologia nos processos de ensino. Abaixo você confere alguns dos modelos mais utilizados para o sucesso na educação híbrida.

Rotação de laboratório

Essa técnica engloba os ambientes virtuais e offline, dividindo os alunos em dois grupos que realizarão determinada tarefa. Enquanto um faz a pesquisa e desenvolvimento da atividade em um ambiente virtual disponibilizado pela escola (computadores, tablets), o outro faz uso de materiais offline, como livros. Em certo momento da aula, os grupos trocam as plataformas e, portanto, finalizam a tarefa passando pelos dois modelos.

Rotação de estações

Nesse formato, o professor cria algumas estações físicas offline e, em cada uma delas, a atividade a ser realizada é diferente. Pelo menos uma das estações precisa ter ferramentas digitais para complementar as pesquisas. Os alunos passam por todas as estações até complementar a tarefa macro e, assim, conseguem ter contato tanto com o formato virtual quanto físico.

Rotação Individual

Cada aluno é um ser diferente com potencialidades a ser exploradas. Na rotação individual isso se torna mais visível, uma vez que cada aluno recebe uma tarefa específica criada pelo professor com base nessa individualidade. Assim, o estudante utiliza o online e offline para desenvolver as suas competências e entregar a tarefa proposta pelo professor.

Sala de Aula Invertida

Esse modelo é o que pede mais disciplina e concentração tanto do aluno, quanto do professor. Ele consiste, basicamente, em estudar a teoria de determinado conteúdo em um ambiente virtual de aprendizagem e utilizar o presencial para realizar atividades práticas em relação ao assunto.

Neste caso, o professor pode optar por oferecer atividades escritas para os estudantes, ou ministrar uma aula por vídeo. Se optar pela segunda, o contato aluno-professor pode ser mais fortalecido, uma vez que o ambiente da videoconferência facilita a proximidade. Nesse sentido, diversas plataformas de videoconferência são oferecidas no mercado, escolha aquela que promove a interação e a colaboração em tempo real.

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O modelo de ensino frio e tradicional, que não levava em consideração as novas possibilidades e a individualidade de cada aluno, perde cada vez mais espaço nas instituições. Discussões sobre o ensino híbrido vem ganhando força, e se solidificando como uma metodologia avançada no processo de aprendizagem.

Sabemos que o caminho para alcançar esse modelo ideal é longo e requer investimentos, disciplina e mudanças, mas os benefícios que ele pode trazer para o futuro da educação são inegáveis.