Você alguma vez pensou que queria remodelar suas aulas, mas não sabia por onde começar?

Neste artigo vamos trazer algumas metodologias ativas de educação que já foram testadas por diversos profissionais e que promovem mudanças significativas no ambiente de sala de aula e na aprendizagem.

As metodologias ativas na educação se baseiam no entendimento de que o conhecimento não é “passado” de quem ensina para quem aprende. Na verdade, o processo educacional tem o papel de possibilitar a construção do conhecimento. Elas não possuem uma corrente única de pensamento nem têm um roteiro e um conceito engessado, o que têm em comum é o entendimento de que para que haja aprendizagem é necessário interagir com o objeto estudado.

Essas metodologias não são restritas a um nível de ensino ou a um tipo de instituição. Na verdade, a ampliação no uso de metodologias ativas é fundamental para que haja melhora na qualidade do ensino nacional.

O curso de Metodologias Ativas para a Educação Online, promovido pela Escola Hub e ministrado pelos professores Fernanda Centurião e Felipe Tocchetto, fornece a oportunidade de vivenciar e aprender 6 dessas metodologias. Elas consistem em um conjunto de experiências de aprendizagem que já foram testadas por diversos profissionais, e que proporcionam um aprendizado significativo.

Aqui vamos te mostrar um pouco mais sobre Aprendizagem Baseada em Problemas, Spaced Learning, Design Thinking aplicado à educação e outras metodologias inovadoras.

Para conferir mais sobre esse conteúdo, assista ao vídeo abaixo publicado no nosso canal do Youtube.

QUEBRA-CABEÇA (JIGSAW)

Esta experiência de aprendizagem é muito dinâmica e proporciona bastante interação entre a turma. Jigsaw significa quebra-cabeça em tradução livre e este método pode realmente parecer difícil de entender, mas é muito eficaz!

Ele inicia com a definição de grupos de trabalhos no qual cada estudante será responsável por aprender uma parte do tema que está sendo trabalhado.

Na sequência, os estudantes que vão aprender sobre o mesmo assunto se juntam em “grupos de especialistas” e se ajudam a estudar o que lhes foi designado. Ao final do tempo definido para esta parte da aprendizagem, os “especialistas” devem elaborar uma ou mais questões sobre o que aprenderam.

Depois disso, os primeiros grupos voltam a se reunir e cada integrante ensina aos outros o que aprendeu. É importante que nesse momento todos tirem dúvidas e entendam bem o assunto uns dos outros.

Ao final, é aplicada uma avaliação individual reunindo todos os assuntos estudados que é elaborada utilizando as questões que os próprios estudantes fizeram na etapa anterior. A avaliação é importante como forma de estimular que todos construam o conhecimento como um todo e não apenas a parte a qual lhes coube ser “especialista” em um primeiro momento.

PEER INSTRUCTION

Este método tem como um dos seus fundamentos a ideia de que o entendimento de um assunto, às vezes, é mais eficaz quando a explicação vem a partir de alguém que aprendeu recentemente do que de alguém que já sabe há mais tempo. Por isso, uma das etapas do peer instruction é a discussão entre pares.

A experiência de aprendizagem começa com um estudo individual do assunto que será trabalhado. Em um segundo momento, é realizada uma questão de múltipla escolha em aula. Depois que ela for respondida, o desempenho da turma é analisado e a sequência do método é modificada de acordo com ele. Veja como ocorre:

  • Caso mais do que 70% da turma tenha acertado a questão, pode-se apenas revisar o conteúdo.
  • Caso menos do que 30% da turma tenha acertado a questão, deve-se continuar trabalhando este assunto.
  • Entretanto, se os acertos estiverem entre 30% e 70%, acontece a discussão entre pares. Nesse momento a turma é estimulada a argumentar sobre suas respostas.

É interessante destacar que não se deve indicar qual a resposta certa nesse momento, uma vez que a discussão em pares é feita a partir do que acreditam ser a resposta, mas sem ter a certeza. Depois da discussão, deve-se novamente aplicar a mesma questão objetiva para verificar se aumentou seu entendimento.

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS (PBL)

O PBL se baseia na ideia de que é necessário aprender a construir o conhecimento a partir de problemas complexos, da mesma forma que ocorre no “mundo real”. Dessa forma, o primeiro passo é elaborar um problema que se relacione com o conhecimento que se pretende construir.

A partir do problema proposto, a turma deve realizar um procedimento estruturado para a construção do conhecimento:

  1. O primeiro momento é a análise do problema utilizando a técnica de chuva de ideias (brainstorming).
  2. Depois, devem levantar hipóteses e propor possibilidades de resolução.
  3. Com estas definições, passa-se a investigação de fontes para testar suas hipóteses e proposições de resolução.
  4. Por fim, depois dos testes, os resultados da pesquisa devem ser sistematizados e as hipóteses e proposições iniciais, revisadas.

APRENDIZAGEM BASEADA EM EQUIPE (TBL)

O TBL tem como um de seus objetivos o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao trabalho em grupo de forma eficiente e eficaz. Assim como os outros métodos, possui uma sequência de passos que podem ser seguidos ou adaptados.

1ª etapa: A primeira etapa consiste em um estudo individual sobre o assunto que será trabalhado e, em seguida, é aplicado um teste individual sobre o tema.

2ª etapa: Na sequência, exatamente o mesmo teste é aplicado, porém desta vez para ser resolvido em equipe (grupos).

3ª etapa: Após a realização do teste em equipe, deve-se fazer a correção das questões, e é muito importante que haja espaço e tempo para que a turma “conteste” as questões elaboradas. Essa contestação pode ser tanto em relação à forma quanto ao conteúdo, sendo este um passo importante para o desenvolvimento de habilidades argumentativas.

4ª etapa: O último momento deste método consiste na apresentação de alguns cenários e problemas do cotidiano para os grupos, que envolvem o tema que está sendo trabalhado. Este é um momento de aprofundamento das questões estudadas de forma teórica anteriormente.

DESIGN THINKING

O termo design thinking significa em tradução livre “pensar como um designer”, e ganhou popularidade no início dos anos 2000. No modelo trabalhado no curso de Metodologias Ativas para a Educação Online, utilizamos o modelo de design thinking do Hasso Plattner Institute of Design at Stanford, que se baseia em cinco etapas.

1ª etapa: A primeira consiste em empatizar ou descobrir. Nela, o problema a ser trabalhado é apresentado à turma, que deve refletir sobre a questão, pesquisar para entendê-la mais a fundo e imaginar quem é afetado por este problema, como, por exemplo, quais são as características e hábitos de uma pessoa (persona).

2ª etapa: A segunda etapa é a de definição ou interpretação, e consiste em um brainstorming sobre as possibilidades de resolução deste problema, sem se preocupar com questões de viabilidade. Neste momento, o importante é que surjam muitas opções de resolução.

3ª etapa: Na próxima etapa, de ideação, as opções levantadas são analisadas e uma delas é escolhida para ser levada adiante. A opção escolhida deve ser descrita utilizando o máximo possível de detalhes.

4ª etapa: Na sequência temos a etapa chamada de prototipação ou experimentação. Aqui, deve-se “concretizar” a opção de solução escolhida. Isso significa que além do plano teórico e da descrição que foram elaboradas na etapa anterior, agora é necessário que se crie efetivamente um protótipo da solução escolhida.

5ª etapa: Por fim, este protótipo é testado na etapa chamada de teste ou evolução.

Percebe-se, então, que utilizando experiência de aprendizagem elaborada a partir de design thinking, são desenvolvidas habilidades como: solução de problemas, pensamento crítico, colaboração, comunicação, curiosidade, imaginação, adaptabilidade, iniciativa e empreendedorismo.

APRENDIZAGEM COM ESPAÇAMENTO (SPACED LEARNING)

O spaced learning tem como objetivo registrar o aprendizado na memória de longo prazo. Para isso, utiliza técnicas de revisita ao tema estudado com intervalos de “relaxamento cerebral”.

Essa experiência de aprendizagem foi desenvolvida a partir de estudos de neurociência, que investigam sobre como se dá a criação de memórias. Ao revisitar o tema, vão se construindo caminhos neurais para acessar as informações aprendidas. Essa experiência de aprendizagem tem diversos momentos, que serão apresentados na sequência.

Primeiro é realizada uma parte de aula expositiva sobre o tema a ser trabalhado, utilizando uma fala dinâmica e, de preferência, sem interação. Nesse momento, a turma está passiva, apenas “aproveitando” o primeiro contato que está tendo com o tema trabalhado. Depois desta apresentação, acontece o primeiro momento de “relaxamento cerebral”. Isso significa que deve-se realizar uma atividade lúdica, sem relação direta com o tema.

Depois desse momento de “distração”, volta-se a tratar sobre o tema da aula. Desta vez, não se faz uma aula expositiva e acelerada. Aqui é importante que se apresente novamente as informações que já foram trabalhadas anteriormente, de forma que a turma vá “completando” lacunas nas falas. Isso significa que se deve incentivar o acesso às memórias do primeiro momento. É importante seguir a mesma ordem da primeira parte na apresentação das informações.

O próximo momento é um novo “relaxamento cerebral”, no qual a atividade realizada deve ser diferente da anterior, e sem envolver a temática estudada.

Por fim, a experiência de aprendizagem consiste na realização de uma atividade final para que sejam utilizados os conhecimentos construídos nas etapas anteriores.


E então, qual destas metodologias parece ser a melhor para começar?

Neste artigo, vimos que as possibilidades de experiências de aprendizagem são muitas e que você não precisa criar tudo do zero para realizar aulas inovadoras! Vamos relembrar rapidamente todas as metodologias sobre as quais tratamos:

  1. Quebra-cabeça (Jigsaw)
  2. Peer Instruction
  3. Aprendizagem baseada em problemas (PBL)
  4. Aprendizagem baseada em equipes (TBL)
  5. Design Thinking
  6. Aprendizagem com espaçamento (Spaced Learning)

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